segunda-feira, 25 de maio de 2015

Os doze elos da originação dependente (ou interdependente)

  1. Ignorância, Perda de visão (Avidya) - Ilusão de separatividade / dualidade entre sujeito e objeto. Quando vemos assim, perdemos todas as outras formas de ver.
  2. Marcas Mentais (Samskara) - Hábitos causados pela repetição da ilusão de separatividade.
  3. Consciência (Vijnana) - Embrião de uma identidade (a partir da repetição, das marcas mentais de separatividade, o observador começa a se ver como uma identidade e começa a vontade de perpetuar algo).
  4. Nome e Forma, Aspirações (Nama-Rupa) - Ponte ligando o abstrato ao concreto. Desejo dessa identidade de objetos físicos (corpo) para estabilizar energia. 
  5. Sentidos (Shadayatana) - Materialização do desejo de objetos físicos para estabilizar energia - surgimento dos sentidos.
  6. Contato (Sparsha) - Contato dos sentidos com objetos do mundo.
  7. Escolhas, Gostar/Não Gostar (Vedana) - Outra perda de visão: Tendo como base os sentidos, gostar ou não gostar de algo (objetos concretos ou abstratos), sem perceber os elos anteriores. 
  8. Desejo, Apego (Trishna) - Querer o que gostamos, se afastar do que não gostamos. Busca mundana de felicidade condicionada.
  9. Ação Contaminada (Upadana) - Sucesso aparente. Ações baseadas no desejo e apego gera resultados.
  10. O Mundo é Assim (Bhava ou Rupa) - Nascimento do eu e de sua visão de mundo. Soberba por achar entender o mundo (contexto) com visões limitadas. Arrogância. Rigidez da identidade da pessoa e de sua visão de mundo.
  11. Circunstâncias da Vida (Jeti) - Baseado no eu e em sua visão de mundo, busca na vida humana de estabilidade, como um equilibrista girando pratos. Urgências e prioridades (para um futuro que nunca chega).
  12. Envelhecimento e Morte (Jana-Marana) - Sofrimento com o desequilíbrio e finitude, tentando sustentar o insustentável, por estarmos viciados em sermos como equilibristas, sem perceber a presença incessante. (Após o bardo da morte, os seres sencientes que não se libertam voltam direto pro item 4, recomeçando o ciclo daí.)

“Quem tem ignorância termina tendo marcas mentais, quem tem marcas mentais tem um embrião de identidade, quem tem um embrião de identidade tem aspirações, que tem aspirações termina gerando um corpo, quem tem um corpo gera contato com o mundo a partir do corpo, o contato com o mundo a partir do corpo leva à experiência de gostar e não gostar, gostar e não gostar leva ao apego e ao desejo, desejo e apego levam a sucessos parciais, esses sucessos parciais levam à noção de nascimento, o nascimento leva à ação no mundo, ação do mundo leva à morte.” – Lama Padma Samten

Entramos na roda dos 12 elos na ordem crescente (elos são cumulativos, cada um serve de base para haver a possibilidade do seguinte) e podemos sair em ordem decrescente, sendo cada elo causa do elo posterior na ordem crescente e a dissolução de cada elo causa a possibilidade da dissolução do elo subsequente na ordem decrescente. Por isso, o Buda apresentou esse ensinamento com a ajuda do desenho da Roda da Vida, que resumiria todo o conhecimento do Budismo.

No sutra da haste de arroz, vale a pena contemplar que, da mesma forma do que acontece com os 12 elos, a haste de arroz não sabe que depende da semente, e a semente não sabe que pode gerar uma haste de arroz, mas mesmo assim são elementos dependentes.

8 comentários:

  1. Maria Célia De Santi1 de abril de 2016 03:50

    Excelente. Venho estudando a Roda da Vida e à medida que o tempo passa, no estudo, alcanço certa compreensão. Sempre me instigou a recomendação do Lama em fazer a leitura dos elos do fim para o começo. Não conseguia, pois me perdia nos detalhes da leitura e imagens.Sua síntese me propiciou fazer esta leitura. Agradeço.

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    1. Putz, fico muito feliz em saber disso, Maria.

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  2. Obrigada pelos resumos,vou estudar eles também !

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  3. Olá, boas! Eu tenho lido e procurado me guiar pelos ensinamentos budistas e muito recentemente descobri que estou sujeito, à tempo em inteiro, em cair na trilha da autoilusão. O ego está sempre a distorcer tudo, há dias em que não me reconheço e nem reconheço as coisas que escrevo (sou músico e escritor). A minha questão é: como identificar ou achar um mestre?

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    1. Procure Lamas por aí, veja s tem conexão ao vivo ou no Youtube. Eu tive muita como Lama Padma Samten. Aqui também tem recomendações legais: http://tzal.org/2-1-formas-de-budismo/

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  4. Obrigado Fabio. Marquei o Blog e estarei a ler com frequência.

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