quinta-feira, 31 de julho de 2014

A Roda da Vida - Lama Padma Samten

A Roda da Vidaroda-da-vida-templo-cebb-viamao
A roda da vida numa das paredes do templo do CEBB em Viamão (foto minha - meio fora de foco - rs - clique pra ampliar)

Seguem minhas anotações do que Lama Padma Samten ensinou durante o retiro de inverno 2014, no CEBB Viamão, RS


Do centro da imagem para fora:



3 animais: (mais detalhes abaixo)

  • Javali - ignorância - que gera:
  • Galo - desejo/apego - que gera (quando ameaçado):
  • Cobra - raiva

6 reinos:

- Reino dos Deuses - Ideal do samsara. Viver como reis e imperadores. Tudo de bom (topo na imagem). Para o budismo, aqui ficam Brahma, Vishnu e Shiva (deuses que, respectivamente, mantém e dissolvem ilusões do samsara) e o jardim do éden cristão. Emoção principal: orgulho.

- Reino dos Semideuses - Invejam os Deuses. Disputa. Tentam sempre alcançar o que os Deuses possuem. No mundo, tecnologia, ciência etc. Perseverar dentro do samsara.  Olho do bom senso e da causalidade aprendido no mundo.

- Reino dos Infernos - Muitas variações de raiva, dor e tortura (abaixo na imagem).

- Reino dos Seres Famintos - Carência. Aspirações impossíveis de realizar. No nosso mundo (samsara), crescente limitação de recursos.  Em expansão, com os problemas ecológicos.

- Reino dos Animais - O reino animal. Preguiça. Impossibilidade de sair de avidya. No nosso mundo, em diminuição, com os problemas ecológicos.

- Reino Humano - O mais favorável porque nele há os ensinamentos e a chance de iluminação. É muito pequeno. "Somos cegos porque vemos." (Buda) Notar a raridade de um Buda surgir aqui. E de o Darma nos tocar. Buda Sakyamuni é o quarto buda histórico. O próximo é Maytrea. Reino caracterizado pelo planejamento por etapas  para obter resultados, mas limitado pela impermanência, falta de controle e sofrimento. Falta de sentido.


12 elos (compreensão importante para Prajna):

Se você já está mais avançado nos estudos, veja nesse post o resumo que fiz de todos os
doze elos da originação dependente


Imagens fora da roda: Simbolizam a perda de tempo de pessoas no samsara que não aproveitam a vida humana preciosa para praticar (jogando videogame ou dançando).

P.S.: Palestra maravilhosa da Jeanne Pilli sobre A Roda da Vida no CEBB Fortaleza, em 08/10/2015.




Contemplando o desenho do centro da roda da vida de Tiffani Gyatso



Este desenho de Tiffany Gyatso do centro da roda da vida no templo do CEBB em Viamão foi fotografado e usado como capa do livro "A roda da vida como caminho para a lucidez", do Lama Padma Samten. 

Classicamente, o javali (ou porco) simboliza a ignorância, visão de vida baixa, curta e autocentrada. A partir de seu rabo surge o galo (desejo e apego), simbolizando nosso esforço cotidiano de manter o que desejamos e nos afastar do que não desejamos (por isso, o galo, que é um animal que está sempre ciscando, buscando algo, em movimento movido pelo desejo). O Lama Padma Samten fala que o galo tem tudo a ver com a figura do equilibrista de pratos que somos, tentando manter girando sem cair o prato do emprego, o prato do relacionamento, o prato da família, etc. A partir do rabo do galo surge a cobra (raiva), que brota quando algo atrapalha nossos desejos, nossas fixações, nossos apegos. Quando algum prato cai e quebra. E a partir daí, o ciclo eterno se reinicia, gerando um novo javali (o Lama brinca que seria um javali 2.0) que agora vai tentar evitar a quebra de outros pratos. A simbologia do animal comendo o próprio rabo lembra a imagem grega do Oroboros, representando algo eterno.

Na representação dos três animais, podemos notar com um olhar mais apurado algumas criações notáveis da artista, como o galo com penas de pavão em seu rabo, como que simbolizando um orgulho nosso pelos pratos conquistados. O Buda (presente em todas as partes da roda da vida) está acima desse ciclo, fora dessa confusão tão nossa, com o rosto plácido, uma luz na mão esquerda (talvez representando lucidez) e a mão direita apontando a flor de lótus que nasceu onde ele pisou (no nascimento do Buda Sakyamuni, Sidarta Gautama, diz-se que onde ele pisava nasciam flores de lótus). 

A saída, então, do ciclo, seria a flor de lótus, que o Buda aponta, o que me lembrou o mantra da compaixão, "do lodo nasce o lótus" (OM MANI PADME HUM). Ou seja, por mais que aparentemos estar preso nesse ciclo, por mais que estejamos atolados no lodo, Buda nos aponta a saída em Bodicita, na compaixão, na ampliação da visão autocentrada e dual do javali em qualquer uma de suas versões.

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